Doçura

Doçura

Quero falar-vos sobre a doçura e do que ela trouxe à minha vida, quero falar-vos de como foi díficil encontrá-la e percebê-la dentro de mim. Não vos falo em doçura para com outra pessoa, falo-vos sim de doçura na 1ª pessoa do singular, confusos? Eu explico.

Há uns anos comecei a ouvir esta palavra com alguma frequência nos retiros que fui frequentando e nos livros que comecei a ler sobre temáticas do universo feminino. Ouvi a frase “sê doce contigo mesma” algumas vezes e de todas elas não conseguia perceber como isso funcionava, quase como se a linguagem falada fosse diferente da minha e eu não possuísse essa ferramenta.

No ínicio deste ano decidi que precisava de ajuda profissional para trabalhar questões internas que já não me sentia capaz de continuar a analisar e trabalhar sozinha e comecei então a fazer terapia.

Com o decorrer das sessões fui-me apercebendo que dentro de mim existe uma “tirana interior” e que ela me subjuga(va) nas situações mais corriqueiras , ao mesmo tempo foi nascendo algo que eu gosto de chamar de “mãe interior” que me começava a apaziguar nas mesmas situações que a “tirana” me julgava e condicionava.

Ontem enquanto era doce comigo mesma, enquanto cuidava de mim fisica e emocionalmente, tive consciência do que significa isso de ser doce na 1ª pessoa. Ser doce é aprendermos a ser Mães de nós mesmos, a sermos a Mãe que gostaríamos de ter e ser mas connosco. Ser doce é aceitar que por vezes o corpo não responde ao que a cabeça quer e seguirmos aquilo que ele nos pede. Ser doce é ser paciente e carinhosa quando os julgamentos invadem a nossa mente. Ser doce passa muitas vezes por dizer não a pessoas e situações. E se ainda assim tiverem dificuldades em perceber o que é a doçura na 1ª pessoa, respondam à seguinte pergunta: “Nesta situação o que é que eu faria ou diria se isto estivesse a acontecer com um(a) amigo/a?”. Se a resposta vier do coração garanto-vos que ela vem recheada de doçura.

Muitas vezes tentei forçar a doçura o que é por si só uma contradição, se forças já não estás a ser doce. E foi quando deixei de ansiar encontrar a doçura que ela chegou até mim. Sinto que acima de tudo tomei a decisão de saír do sítio onde me encontrava internamente e partir à descoberta de um novo que estivesse de acordo com a pessoa que a cada dia me torno.

As dores e as zangas que carregamos não nos permitem praticar a doçura porque preferimos ficar agarrados a isso, seja porque nos habituamos e acreditamos que não existe outra realidade ou porque gostamos de estar tristes e zangados. Eu decidi procurar um lugar novo cá dentro, um lugar criado por mim e não pelos outros, um lugar feito das minhas verdades relativas e dos meus sonhos. Aos poucos vou deixando para trás crenças que não me pertencem, feridas que não são as minhas, e abro os olhos e o coração para quem sou por detrás disso tudo, agora com a doçura dentro de mim.

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